Tenho saudades tuas, querido ntnnm.
De te escrever por companhia e desabafo, sem medo dos olhares que me fazem sentir contraditória. Dizer. Não dizer. Decidi mudar-te. És menos o que eras, e agora não há voltar atrás, de nenhuma das formas. O teu aspecto antigo foi-se para sempre, e escrever em ti como antes está fora de questão, até todos os te lêem te esquecerem, como já aconteceu antes. Pergunto-me se isso acontecerá.
Chove, querido ntnnm, e recordo. Recordo a primeira vez que te escrevi, como se fosses um diário de uma adolescente emocial. Era-lo, eu era-o. Ainda o sou, reconheço. Se cresci foi tanto e tão pouco que de quando em vez posso acreditar que ainda sou a mesma. E, contudo, nunca mais o serei.
Chove lá fora, ainda bem, e eu sento-me só no quarto só na casa só. Minto, que mentira cruel. Não estou só. O pequeno ser que dorme tranquilamente ao meu lado, revelando ser o oposto dele mesmo acordado, não me deixa sozinha. E tu, querido ntnnm, és uma janela para o mundo, uma ligação do que já foi o mais fundo de mim à curiosidade (?) alheia.
E a verdade é que és ainda uma casa.