Jun
18
2007
Que farta! Farta de que suponham que me conhecem, que me compreendem. Farta de ter de fingir. Mas a verdade é que não conseguiria ser sem fingir, não seria capaz de me mostrar. Apesar disso, sou sincera nas minhas gargalhadas loucas. Loucura, esse remédio que prefiro a tudo… Vem, esquecimento do real, e deixa-me ser assim, feliz… Feliz como sou. Sem que me compreendam e escondida de tudo e de todos. Aqueles que melhor me conhecem não são os que se dizem capazes de o fazer, mas aqueles que nada ou pouco sabem sobre mim.
Quem sabe o quanto há de verdadeiro e alegre no meu riso? Quantos são os que me podem julgar? Se ganhasse uma moeda por todas as vezes que sou subestimada… E ainda se admiram da minha auto-estima! Hmpf, não sabem que não é preciso desabafar para se ser feliz. Nunca precisei disso, só me faz sentir-me encurralada, prefiro brincar a falar a sério, mas também o sei fazer.
Saberei? Já alguma vez falaram comigo a sério? Uma única vez em que eu pareça ter sido sincera. Já chorei por vocês e convosco, à vossa frente? Esses que me viram chorar e me confortaram, esses sim são dignos de me ousar falar a sério. Todos aqueles que sabem o quanto eu choro são dignos de me julgar. Todos os que acreditam nas minhas palavras, mesmo que a brincar, são dignos de me conhecer. Há quem não seja nada disto. Nada.
Quem é capaz de me aguentar quando estou rabugenta merece a minha atenção, seja em que ocasião for. Quem sente os meus estremecimentos de alegria merece rir comigo. Tudo o mais é-me irrelevante, sou vítima do meu próprio egocentrismo. Digam o que disserem, eu sou-o, e não me conseguirão dissuadir isso.
Às vezes preciso de ouvir mentiras, palavras falsas mas reconfortantes, não das que são inúteis. Estou farta de sentir que há vezes em que estrago tudo com o que podia ou devia ter dito, mais do que com o que disse ou fiz.
Quero ser louca! Quero viver e esquecer, quero ser possuída pela loucura e prestar apenas atenção a mim, quero sentir-me sempre feliz, naquele estado de felicidade extrema que alcanço às vezes, sem saber como. Quero rir sem que me julguem, quero sentir tudo menos dor, quero ser eu. Quero quero quero! Por favor, loucura, toma conta de mim.
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Jun
18
2007
Falo e é como se não me ouvissem. Como se estivesse a afundar lentamente, mas ninguém reparasse. Amaldiçoo a hora em que me diriges a palavra, porque agora só te tenho ódio, só te guardo rancor. Fica com quem quiseres, fala com quem te apetecer, que nada mais quero de ti. Por que haveria de crer? Não tenho qualquer vontade de sofrer, e odiar é fácil, é simples. Já lhe tomei o jeito, agora é só continuar, pé-ante-pé, devagar, até te odiar tão profundamente que já não possa sequer ouvir o teu nome. Não deve tardar, espero eu. Mas tudo o que tu verás são sorrisos cínicos e gargalhadas arrogantes, porque é tudo o que mereces. Nem mais, nem menos. Não te deixarei magoar-me, nunca mais. Esforça-te, se queres o meu perdão. Se bem que, depois do que eu sinto, duvido que valha a pena. Não perdoo, se me conhecêsses saberias isso. Não és como outros, que tomam as minhas palavras não como arrogantes mas como honestas. Que, quando sorriem, fazem-no com sinceridade e não com cinismo, quando falam é com convicção e não com arrogância. Desculpa, mas não te consigo olhar como antes. Não consigo olhar-te sem achar que estou a ser enganada. Paciência. Acabou.
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