Wednesday, July 18, 2007

Idiota. Cobarde. E ainda esperavas que te dissesse porque choro. Como se o merecesses. Já te disse, e volto a dizê-lo se precisares que to diga. Não tenho pena nenhuma de ti. Nenhuma. Porque tens quem te quer ajudar, mesmo não sendo eu, e descartas as pessoas como se não fossem nada mais que fantoches ou marionetes nas tuas mãos. E dizes que o fazes porque não as queres magoar. Duas vezes idiota. Só sinto raiva pela tua cobardia, e furiosa por te deixares afogar em auto-comiseração, quando não precisas. Podes não acreditar, mas a vida sorri-nos. E não é a afastar todos os que  se preocupam que chegas a algum lado. Com isso só vais conseguir bater no fundo desse mesmo poço para onde não queres que eu caia. Por favor, deixa-te disso. Também eu não preciso da tua piedade e muito menos da tua preocupação. Se queres não magoar alguém, começa por ti. Quando aprenderes que não é a fugir que resolves seja o que for, talvez aí possamos ter uma conversa civilizada.
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Friday, July 13, 2007

Agora que já tudo foi esquecido, que nada mais há que recordações, é que eu me arrependo de não ter percebido mais cedo. De não ter reparado que estava a ser cega a mim própria. É neste momento que sinto os remorsos a pesar por não me ter libertado quando era fácil, pois agora nada mais há de que me ver livre. Já passou, e sinto pena por não ter conseguido dizer o que queria, o que achava, o que pensava que sentia. Mas não mais. Não me afogarei em mágoas pelo que não foi, não afirmarei que já esqueci - apesar de o ter feito. No fim é que nos apercebemos disso. Que esquecemos com tanta facilidade como vivemos. E que lembramos o que nunca pensaríamos recordar. Que somos tão fúteis e vãos que cremos que somos importantes para alguém. Apenas somos importantes para nós, e, se nos preocupamos com alguém, é por puro egoísmo.

É isso que somos, egoístas com sonhos de altruísmo barato, crendo que há mais que nós mas importando-nos apenas connosco mesmos. Idiotas. E eu sou a mais idiota de todos, porque me apercebo disso e não o tento mudar. Ou tento. Mas não consigo. Porque me sinto confortável com todo este egoísmo que, afinal de contas, é meu. Mais meu de que de outrém. Como mais egoísta, odeio os que não o são, os que são amados e que não viram as costas ao desespero. Odeio-os. Pura inveja. Porque eles têm algo a que se agarrar, e eu nem isso, porque não sou sequer arrogante ao ponto de acreditar nas palavras de conforto ou de carinho ou de afecto. Deixo-me afectar por elas, é certo, mas isso porque duvido de toda e cada uma que me é dirigida, procurando o gozo ou o cinismo escondidos por entre os mantos velados de cada uma.

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Wednesday, July 4, 2007

Como pudeste?
Com a tua fraqueza destruíste o meu belo palácio, transformando-o em cinzentas ruínas, despojadas do antigo e vigoroso esplendor. Secaste todas as fontes e rios e mares deste meu reino, queimaste os verdejantes campos e incendiaste todos os bosques cor-de-esmeralda. A Natureza pereceu. Por tua culpa.
Tornaste gélido o Verão e tórrido o Inverno, condenaste a felicidade e baniste a alegria. Os risos e sorrisos tornaram-se proscritos. Por tua culpa.
Agora, só as lágrimas governam, a soberanas e solenes em seus tronos de dor e carência, alimentando-se de redemoinhos de desespero. Por tua culpa.
Transformaste a comida em cinzas e a bebida em fel. O doce perfume que era ar tornou-se acre, sufocante. Por tua culpa.
Fizeste com que surgissem mendigos neste meu reino de ouro; estalaram guerras e a fome chegou, com o seu sorriso de escárnio e olhos cavados. Por tua culpa.
Sangue. Esse, que nunca havia corrido em maior quantidade que uma gota, proveniente do tocar num espinho de uma rosa, corria agora em rios vermelho-rubi; belos, é certo, mas de uma forma macabra. Por tua culpa.
Troçaste da beleza da chuva, do resvalar da noite para o dia, do chilrear melodioso dos pássaros e do assobiar suave do vento. Tudo se silenciou. Por tua culpa.
Amaldiçoaste, sim, amaldiçoaste cada pedaço de terra, de vida deste meu reino encantado, e nada deixaste que ficasse de pé. As flores murcharam, e tudo ficou coberto de morte. Por tua culpa.
Anunciaste a minha derrota aos quatro ventos mesmo antes de saber se eu me rendia - e ainda não o fiz. Obrigaste a que se ajoelhassem todos os meus súbditos a teus pés. A canção entoada era de medo. Por tua culpa.
Cobraste dívidas que não te eram devidas, trucidaste a generosidade e a solidariedade. O orgulho morreu sozinho, enforcado pela corda que lhe ataste ao pescoço. Por tua culpa.
As tuas pragas foram ouvidas em cada canto e recanto deste meu reino, e todos te obedeceram. O fogo, até então fonte de calor e de purificação, transformou as suas labaredas em armas que feriam e matavam. Por tua culpa.
Tu, inimigo mortal, cobriste de trevas a luz, com teus mantos negros e gargalhadas frias. A escuridão permanente coroou tudo; a claridade feneceu para sempre. Por tua culpa.

Destruíste este meu reino. Mas, apesar disso, ele é o mais belo de todos.

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