And afterall, you’re my Wonderwall.
Monday, December 31, 2007
Thursday, December 27, 2007
Cada vez mais fria e egocêntirca! Viva eu!
…
O quarto jazia no descompor desarrumado que percorria a sua roupa, mas nenhuma das confusões era pior que a da sua mente. A drageia correu garganta abaixo, acompanhando a água na sua descida.
Afundou-se na cama, ainda por fazer, interrompendo o sono do felino que ali se encontrava.
Não demorou a sentir o alívio suave que seguiu o travo doce na boca, a sensação de perdão que a inundou e que fez com que as trevas sobre si se atenuassem, qual sol destapado pelas nuvens.
Não se moveu, com medo que as dores voltassem. Preferia a monotonia que não a surpreendia que os ataques súbitos de labreguice que interrompiam a sua alegria semi-in-constante. Eram interferências consigo.
Fechou os olhos, farta das sombras que preenchiam o quarto pouco depois do pôr-do-sol.
O comprimido fazia efeito, até mais que o que lhe era atribuído - vede, sorriu! Era contente, agora, era mais que a solidão que não a penetrava.
Contorceu-se. Nem a monotonia a salvara, e as dores eram maiores que antes. O doce alívio era, afinal, subtil veneno.
[Texto para o Colinas, a 26.12.07.]
Monday, December 24, 2007
Já ninguém te acredita, e deixaste de ser o que dizias - e que nunca foste. Nem tudo, mas o mais, agora, é irrelevante.
Vem, anda.
A tentação encaminha-te para o princípio, de novo. Mas o princípio já foi, criança. Não volta, jamais - não o mesmo, digo. Ah, mas tu acreditas. Acreditas que é sempre tudo o mesmo, que não abandonas a monotonia de seres tu. Que todos os dias começas e todos os dias acabas.
Não, não vás por aí.
És guiada por ti mesma, e nem sabes o quão enganadora és. Consegues ver o reconforto no sol, na luz perfeita que brilha sobre as lajes frias, mas a sombra é-te tão mais familiar. E acolhes-te nela.
Ainda não chegou a hora.
Mas os prenúncios que te antecedem fazem ribombar trovões e encurtam a distância entre ti e o final. Já os ouves, não é assim?
Não fujas.
Não, não o farás. Sabe-lo.
Para o Colinas, hoje.
(“The Heinrich Maneuver”, Interpol)
Nem consigo escrever.
Mas obrigada pelo verso.
Saturday, December 22, 2007
Como o entristecer da noite
E os acordes de música incompreendidos,
O arrancar à realidade
Que não quer viver, de tão incoerente.
As palavras pouco mais são que provas
Imateriais
E a pequenez de que é alvo transforma-a
Em perfeição envergonhada.
As bandeiras são hasteadas
Mas é mais que o que se pode querer
- Ou menos.
E as mãos são fibrilas que se enlaçam
Num procurar voluntário
E a espera nunca é espera
Porque o fim não é desejado
E o escurecer afasta os dedos.
Para um desafio do colinas de dia 20.
Tuesday, December 18, 2007
debaixo da chuva de folhas imperenes
e arrisco a ambição de me denominar egocêntrica.
e esse egocentrismo é teu, afinal
porque sou, de ti, uma parte
imperfeita.
e nessa impressão pouco mais sou
que os sentidos revividos
um
a um
e o caminhar
cheio dessa lassidão
sem a pressa descompassada
e o medo.
que treme mais que o gelo exterior
- esse derrete facilmente.
e números que se conjugam em felicidade
são marcos históricos gravados em labirintos imóveis.
Sem nunca nos perdermos.
Sunday, December 16, 2007
(“Spasm”, Blasted Mechanism)
Minha doce inconsciência que me prende aqui, que fazes? Por que não me deixas partir? Há mais que fazer que continuar aqui, submersa pela tua ambição desmesurada de perfeição. De estar e ser e sentir – de novo.
Mas estás aqui tão bem, não achas? Que mais precisas? És livre, tens a razão toda do teu lado. És tu e estás em ti. Sente o que quiseres.
É o que pensas, mas não é verdade. Para sentir é preciso mais que eu. Sobre o que pensarei, diz-me, se nada há para pensa além de mim? Não sou egocêntrica a esse ponto, acredita.
Não tens de pensar. Podes entregar-te ao sono; afinal, no fim, é assim que acabarás.
Ainda falta! Não quero antecipar-me, é demasiado cedo. Quero sorrir quando precisar, e deixar escorrer as lágrimas assim que forem tantas, demais para as suster. E quero ter alguém que mas limpe e que me sorria de volta.
Tens-me.
Desculpa, mas não me chegas. Não me podes estender a mão, não te posso abraçar, não nos tocamos na nossa proximidade.
Não precisas de voltar ao teu mundo. Aqui tens tudo isso.
Em pensamento, talvez. Mas quero mais que imaginar. Sim, eu sei que sou gananciosa, mas é-me inerente. Faz parte da minha qualidade de humana.
Contento-me com pouco.
[Obrigada pelo verso. =) ]
Friday, December 14, 2007
Ainda me pergunto por que o fazes. Por que razão não acreditas em mim, quando te digo que sim? Ainda és o meu encosto perfeito, sabias? E devias saber que não gosto que não contra-argumentes, porque eu quero falar contigo. Subvalorizas-te, tu que te dizes tão egocêntrico. Quando afinal nem crês no que te digo; que és, de facto, um bom amigo, e que nada fizeste de errado. Nunca, e não te podes culpar de ser reles e coxo, quando sabes que o digo a brincar. Sempre a brincar.
Não me deixes, a sério. Porque ainda afastas a solidão e confortas quando os dias são negros. Porque cantaste, e ainda cantas, quando te peço. Porque susténs as lágrimas que teimam em cair, quando nem todos o conseguem fazer. Não me aqueces as mãos, aqueces - meu deus, que cliché, peço desculpa - o coração.
Desculpa, por todas as vezes - tantas! - em que sou (demasiado) chata, ou que te possa magoar irreflectidamente. Não duvides, peço-te, de quando te digo que não te deves preocupar, ou de que é importante para mim fazê-lo, ainda que penses que não. Lamento também quando posso agir de maneira fria, porque a paciência é pouca - quão idiota de mim - e o orgulho muito. Quando devia ser o oposto, porque não tenho nada de que me orgulhar e mereces que tenha paciência. Nem que seja porque disseste atravessar o rio a nado.
Sunday, December 9, 2007
E tu que, aparentemente, já descobriste esses meus erros-seres? Que já não precisas de mim? Ou é por isso que não te consigo ajudar.
E o pior é a solidão que eu afasto com sorrisos e refutares de tristeza.
Há muito que não chorava.
Tuesday, December 4, 2007
não detenhas as lágrimas que querem cair
não as escondas,
- não de mim -
porque choro contigo
e sei - finalmente - porque amo.
não mereces sofrer sozinho
e eu estou contigo
(quer queiras ou não,
já conheces a minha teimosia)
mesmo que não perto de ti.
apenas lamento não te poder estender a mão
apertá-la na minha
com o carinho inusitado da tristeza partilhada
e iluminar-te a alegria
tal como tu és farol na minha noite escura
e me impedes de desesperar.
e és âncora, cais, porto,
abrigo dos sentidos,
como o calor reconfortante da lareira
- que nos espera, não é assim? -
que aquece (tão bom!) por dentro.
deixo de criticar o pensar;
porque penso em ti.