ex- que foste,
e agora és passado.
memória imberbe e pueril
ensombrecida pelo nevoeiro
arrogante diluir do antigo ser
ante as inconsistentes ameaças
que proferes com intenções devastadoras.
ameaças. foram breves, encanecidas
pelo tempo incoerente que te atribuis
nos teus resquícios de infantilidade.
é em redemoinhos de óleo negro que
atiças o fogo e queimas
ardendo o céu no amanhecer precoce
com a plenitude da aurora moribunda. and darkness turns to rain.
agarrar-te é segurar o resplandescer dourado
do sol poente
e já foste.
no decorrer do tempo pelo espaço
- isso a que chamam dia, -
caíste, contra-vontade
estatelando-te no que não quiseste
jamais querer.
a tua falta de ambição foi o teu fim.
ou nunca nada quiseste, dado seres
deus em tua terra estéril
partindo para conquistas de territórios
atravessando o Rio
para lá do retornável. and now you’re long gone.
porque nunca estiveste
e o teu corpo nunca foi matéria
não foi a tua mão que delimitou os contornos
que criaram espirais de luz
transcendentes.
teus olhos não se fecharam com a imensidão
do percorrer mal-amado dos caminhos
cujo pó forma visões de euforia. now dawn comes no more. como persegues agora a vida
sem o apoiar dos sonhos de gravilha
resvalados
pelo correr da noite e a raiva
que, afinal, não passa de palavras
tão vãs como o bem que desejaste.
aconteceu seres, em tempos,
quem foste,
- e quem sabe se não o serás ainda –
mas foste remetido à indiferença,
à letargia de tudo.
tornaste-te plano de fundo
que nunca quiseste ser
mas seria inevitável
como o azul das veias
através da pele não-pálida
sequer. until there’s no heaven.