Thursday, February 28, 2008

Texto que talvez não faça muito sentido mas faz mais que o costume.

Já me esqueci de como não codificar mensagens, de como não esconder o que escrevo sob recursos estilísticos e frases que apenas fazem sentido para mim, com palavras encriptadas. E, quando não é assim, custa-me escrever, e tenho de fingir que é a um “tu” que sou eu que me dirijo, porque sou demasiado cobarde para me dizer que sou o que sou. Desculpo-me e digo que não sou/estou o que me chamam, porque estou bem, mas as vozes alheias preocupam-me mais que eu mesma. Ilogicamente, dispenso a passagem das horas por mim, porque apenas aumentam o vazio, e a indiferença cresce. Indiferença - palavra-chave. Tal como já o foi a solidão. Mas a indiferença é melhor, porque não dói. Não é tormento, não fere, não cria mágoas que permanecem, languidamente, a roçar a loucura. Não é felicidade, não é alegria. É. E vai sendo, indolente, arrastando-se atrás dos dias sem que tenha vontade de se estender para além dos momentos de mascarado contentamento ou - ou de quê?
Já não sei o que quero dizer, e atrapalho-me, tropeçando no simples falar do que sinto - nunca foi tão difícil. Há raiva misturada com ira comprimida, sem oportunidades de extravasar qualquer uma. E remorsos que nem sei por que os tenho.

Raios partam.

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Wednesday, February 27, 2008

Olha o Rio, Meu Amor.

Como lhe parecia irrelevante aquele piscar intermitente do farol, a pouca certeza com que guiava os navios com a sua artificialidade extrema. Não serviriam as estrelas? – interrogava-se, na sua lânguida observação da noite, olhando a escuridão exterior que lhe invadia o quarto, mas que era timidamente afastada por uma pequena vela.
Sim, as estrelas deveriam bastar. Eram tão brilhantes, julgava ela, fitando, um a um, os diferentes pontos que lembravam milhares de lanternas acesas numa oração comum, ao mesmo generoso deus. Com um sorriso, imaginou-se numa delas. Viver numa estrela – que estupidez! Como se fosse possível habitar um pontinho minúsculo.
Um suave e repentino bater na janela alertou-a para mais que as estrelas. Indignada por ter sido interrompida na sua contemplação pacata do fixamento, fitou a pequena sombra uns metros abaixo. Abrindo a janela, silvando-lhe furiosamente em resposta:
- Vai-te embora! Já sabes que não posso sair.
O vulto não obedeceu à ordem, teimosamente continuando no mesmo local, tendo até a ousadia de a apelar, numa voz masculina murmurada. – Anda lá! Não demoramos muito, nem sequer vamos muito longe.
Com um suspiro de exasperação forjado audivelmente para que o clamante soubesse que o fazia contrariada, apressou-se a vestir um par de calças e uma camisola quente antes de descer atabalhoadamente pela árvore perto da janela. Como odiava fazer aquilo!, não tinha qualquer jeito para trepar, sentia-se sempre desgraciosa.
- Pronto, já cá estou. Onde queres ir? - Apesar das palavras carregadas com um ligeiro peso de desdém, era-lhe difícil esconder a excitação.
Uma mão foi-lhe estendida na escuridão, e ela apressou-se a tomá-la. Estava gelada, como se tivesse tocado num bloco de gelo, mas ela apertou-a com força, tentando, com a sua, aquecê-la. E sorriu por dentro.
- Vais dizer-me onde vamos? – inquiriu de novo, pouco contente com o facto de não lhe ter sido dada qualquer resposta.
- Já vês.
E a única outra resposta era o silêncio; nada mais, enquanto ela insistia e calcavam os trilhos inumanos e vivamente despertos, com o cri-cri dos grilos qual melodia indignada.
- Olha o rio, meu amor, - disse ele, e ela nada mais pôde fazer que obedecer, como sempre fazia. Porque a voz era demasiado doce para ser contestada e as suas palavras embeveciam-na de admiração merecida, de cada vez que ele as pronunciava.
Meu amor, e era como se fosse esse o seu nome. E ela não queria outro.
O rio era como sempre era, uma corrente de negra escuridão que se arrastava placidamente ao longo da costa, espelho baço que reflectia as estrelas, até então objecto de contemplação, relegadas agora para um segundo plano, tornadas irrelevantes.
Mas o rio era belo, ainda assim. Porque não o fitava sozinha. Um braço estendeu-se, e deixou de ser apenas uma mão a uni-los. Ela já não mais insistia em saber o que lhe queria ele mostrar, nem por que lhe dissera para olhar o rio, esse que deslizava como manto de negritude, qual insuspeita maldição estremunhada; aninhada no abraço protector de doçura que a rodeava como fortaleza. Como maravilhoso muro.

[Já é antigo, como se pode perceber pela última frase, mas enfim.]

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Monday, February 25, 2008

e n f a d o.

Porque, enventualmente, todos se fartam.      Em serenos momentos de angústia interior.      E é sabido que se cansam dos gritos, dos c â n t i c o s, das horas de aturar o pânico e lamentos e magoares. A sorte - será? - é que há um renovar de conhecimentos esperançados, daqueles que interrompem os momentos de silêncio e os tempos mortos.     Ou serão todos os tempos mortos?      Se a crença da indiferença persiste - perene, em dores compassadas que são espasmos insentidos - há, então, desespero em acordar, finalmente, e tomar a pesada decisão.     s o n h o.      Mas nasceu o dia, e os sonhos são da noite; estás atrasada, criatura (não soa bem? Insultos ao ser que te acolhe, que és?). Tornas-te incoerente. Cansas-te, tu também, traidora!, de ti. Qual é o espanto? Talvez seja daí a indiferença - negas depressão, não te diz respeito; demasiado alegre, dizes. Esperas que creiam em ti, quando tu mesma te enfadas, com o teu - fora de moda - egocentrismo exacerbado.       a n j o.      Não são mais que vagas recordações, vultos que foram, em tempos. Descais do teu pedestal! - talvez os horóscopos nem sempre estejam errados. Falta-te a cadência ritmada que se introduz nas noites frias - nem o calor das tuas gatas (toque vulgar) te aquece - e te adormece, embriagando-te os sentidos e deixando-te fechar os olhos sem medo.

t o l i c e s.

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Wednesday, February 20, 2008

Acrósticos de Dor.

imortal vontade de anti-persistência
não sabes que teimas demasiado?
dói! pára, que me magoas
inimiga cruel, aliada traiçoeira
feres-me com tuas adagas de marfim, mas
estão manchadas a vermelho
recordas sangue.
então é assim que condenas os inocentes
nunca concedendo - desconheces a palavra - misericórdia.
tua vergonha banha as horas
eternamente.

          semeias o caos - tu, só tu
          onde já havia chegado o antes
          lanças no precípio os que ousam ser mais felizes
          interrompesses tu a tua companheira
          duas, contudo, corrompem a alegria 
maldição!
          ouviste? era o teu sopro cantado de inglória fama.

ergues-te - déjà vu.
ganhas, perdes, no teu centro incontestado
ondulante e infame crença nas flores - e 
Echos
c
ontrolas (-te), e jamais houve tão bela demonstração de amor-próprio
escondes-te, sem te ocultares, na ’splendorosa luz do dia
nada há que não anseies, não é assim?
tomas em ti a tua singularidade
rasgas - numa miríade de pedaços -
infracções alheias
sumindo-te, depois, para os recônditos superficiais
morosamente afastados, por mim (ou por ti - que importa?)
onde não será, alguma vez, deserto corrido de paz.

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Sunday, February 17, 2008

Os dias de chuva tomam porporções de compatibilidade com os redemoinhos que se tornam tornados dentro de ti, devastando a consciência da realidade. Porque o mundo revirou-se e deixas as tuas antigas crenças, de modo a poderes acreditar quando negas a tua indiferença - segundo outros.

Ou pelo menos tentas. E não consegues agarrar-te ao que te é dito, nem sequer quando há anúncios prévios, e ficas sem fala, muda, descrente. Tentas perceber e distinguir reciprocidade nas tuas palavras e acções, e há quem se certifique disso. Mas tudo é feito para acabar, e tens medo do fim - de novo. Faltam-te as palavras como antes, e sentes-te tremer. Mas ainda não choras. Talvez não te apercebas, por mais que tentes, da existência real dos dias e das horas que vives, dos momentos que te fazem saltar o coração, que, ansiosamente, anseias que se prolonguem e acabem, porque te deixam inquieta.

E agora? Que esperas do futuro que temes? Desconcentras-te facilmente e surgem-te memórias, que talvez fosse melhor afastares, nem que fosse durante segundos.

«I thought I’d lost you somewhere, but you were never really ever there at all.»

Posted by Catarina. at 15:00:49 | Permalink | Comments (5)

Friday, February 15, 2008

Carnival of Rust
Poets of the Fall

D’ you breath the name of your saviour in your hour of need,
n’ taste the blame if the flavor should remind you of greed,
Of implication, insinuation and ill will, till’ you cannot lie still,
In all this turmoil, before red cape and foil come closing in for a kill

Come feed the rain
Cos I’m thirsty for your love dancing underneath the skies of lust

Yeah feed the rain
Cos without your love my life ain’t nothing but this carnival of rust

It’s all a game, avoiding failure, when true colors will bleed
All in the name of misbehavior and the things we don’t need
I lust for after no disaster can touch us anymore
And more than ever, I hope to never fall, where enough is not the same it was before

Come feed the rain…

Don’t walk away, don’t walk away, oh, when the world is burning
Don’t walk away, don’t walk away, oh, when the heart is yearning

Posted by Catarina. at 15:20:03 | Permalink | No Comments »

Saturday, February 9, 2008

Olhos: Castanhos.

Cabelos: Castanho-escuros.

Altura: 1.65. Nem alta nem baixa.

Ascendência: Hm. Mãe moçambicana, pai e avós paternos algarvios, avó materna de Seia.

Signo: Escorpião. O melhor signo de todos. Como é óbvio.

Sapatos que estou a usar: Botas azuis. Só tenho dois pares, estas e as pretas.

Fraquezas: Eu aqui poderia referir escuteiros fofinhos. Ou talve comida. Mas o Mal não tem fraquezas.

Medos: A morte.

Objectivo que gostaria de alcançar: Ser feliz. (Hmph, que crente.)

Frase que mais uso no MSN: “Coxo”. “Reles”. “Muahah”. “Muihihi”.

Melhor parte do corpo: As mãos.

Coca Cola ou Pepsi: Nenhuma. Não gosto de bebidas com gás.

MacDonald’s ou Bob’s: Não conheço o Bob’s. Se bem que o McDonnald’s não é grande coisa.

Café ou Capuccino: Nenhum.

Fumas: Nope.

Palavrões: Não sou de dizer palavrões. Só quando estou mesmo muito irritada. Mesmo mesmo muito.

Perfume: Não costumo usar.

Canta: Ah! Oh lá se canto. Mal, mas canto.

Toma banho todos os dias: Dia sim, dia não.

Gostava da escola: Adorava.

Acredita em si mesmo: Nem por isso.

Tem fixação pela saúde: Nope.

Dá-se bem com os seus pais: Bastante bem, até.

Gosta de tempestades: Perfeitas.


No último mês…

Bebeu álcool: Né, não gosto de álcool.

Fumou: Não.

Fez compras: Hm, quer-me parecer que só comprei comida.

Comeu um pacote inteiro de bolachas: Bastante provável.

Sushi: Não.

Chorou: Nope. O que é estranho. Muuuito estranho.

Fez biscoitos caseiros: Não, mas não me importava de ter comido uns.

Pintou o cabelo: Nunca.

Roubou: Não.

Nº de filhos: Isto é o número de filhos que se fez no último mês, ou os que se querem ter? Nenhuns, para uma ou para outra.

Como quer morrer: Sem dor.

Piercings: Não tenho

Tatuagens: Nope.

Quantas vezes o meu nome apareceu no jornal: Nenhuma. O Mal age subrepticiamente.

Cicatrizes: Uma data delas. Até uma de uma mordidela de um meu irmão. Sacaninha.

Do que se arrepende de ter feito: Ah. Não digo.

Cor favorita: Hm, cores coloridas, como o azul turquesa, o verde lima, o laranja. O preto e o branco também são bonitos.

Disciplina favorita na escola: Português.

Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar: Não me lembro de nenhum. Sou caseira.

Matutino ou Nocturno: E se for de tarde?

O que tenho nos bolsos: Provavelmente, lenços ranhosos.

Em 10 anos imagino-me: No idea.

 

 

Editado.

Posted by Catarina. at 22:08:15 | Permalink | Comments (3)