Texto que talvez não faça muito sentido mas faz mais que o costume.

Já me esqueci de como não codificar mensagens, de como não esconder o que escrevo sob recursos estilísticos e frases que apenas fazem sentido para mim, com palavras encriptadas. E, quando não é assim, custa-me escrever, e tenho de fingir que é a um “tu” que sou eu que me dirijo, porque sou demasiado cobarde para me dizer que sou o que sou. Desculpo-me e digo que não sou/estou o que me chamam, porque estou bem, mas as vozes alheias preocupam-me mais que eu mesma. Ilogicamente, dispenso a passagem das horas por mim, porque apenas aumentam o vazio, e a indiferença cresce. Indiferença - palavra-chave. Tal como já o foi a solidão. Mas a indiferença é melhor, porque não dói. Não é tormento, não fere, não cria mágoas que permanecem, languidamente, a roçar a loucura. Não é felicidade, não é alegria. É. E vai sendo, indolente, arrastando-se atrás dos dias sem que tenha vontade de se estender para além dos momentos de mascarado contentamento ou - ou de quê?
Já não sei o que quero dizer, e atrapalho-me, tropeçando no simples falar do que sinto - nunca foi tão difícil. Há raiva misturada com ira comprimida, sem oportunidades de extravasar qualquer uma. E remorsos que nem sei por que os tenho.

Raios partam.

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One Response

  • Tiago Says:

    Cheguei agora do Festival da Tunas (O Traçadinho), na Aula Magna. Passei por aqui e li o teu mais recente «post». Sabes, Catarina, não vou estar com muitas palavras como é meu hábito mas vou deixar-te com algo: Um dia, quando começamos a falar, eu disse-te que começava a caminhar para a Indiferença, devido a muita coisa, e que eu queria ser indiferente, para com as pessoas, precisamente para não me magoar (não ter dor interior) lembras-te!? Tu pediste-me para não ser indiferente, para nunca ser indiferente, até me querias ajudar, relativamente a isso. Só te tenho a dizer isto! Percebes!?

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