Não sei. Porque mudei, e não queria ter mudado, mas há aspectos positivos na mudança. Como há em tudo. Não deixo, no entanto, de ressentir aquilo em que me tornei. Estou diferente, sim, e há muita gente que o pode confirmar. Ou então ando a imaginar coisas, já não seria a primeira vez (nem a última, espero eu). Como o frio - real - que só me enregelece a mim. E se antes não queria estar só, agora é forçoso não estar sempre acompanhada, ou a raiva/irritação contra quem não me quer, sequer, mal, enrodilha-se num crescendo efervescente. Nem tenho a decência de ultrapassar o orgulho e pedir desculpa, porque continuo irritada.
Mas depois pergunto-me: por que raio tenho eu estes acessos de pseudo-auto-comiseração se também sou arrogante (e cada vez o sou mais)? Para quê lamentar-me se sou feliz no meu egocentrismo, se não penso no que me tornei? - Agora parece que passei de boazinha a má da fita. Será? Adiante. - Fazia era melhor em deixar-me destas coisas e ter juízo, que já tenho idade mais que suficiente.