Sunday, April 27, 2008

Não estou aqui.

Eu devia estar a estudar, prometi, mas não me consigo concentrar. Vagueio inconscientemente, como deambularia se gostasse de caminhar sozinha sem rumo - mas, para mim, caminhar tem um fim se o faço só, e nessas alturas sinto-me a mais egocêntrica de todos os que encontro na rua, ou então posso andar sem destino com companhia, e mesmo assim, gosto de ter um lugar onde pretendo ir, por muito longa que seja a caminhada. E pronto, como prova da minha incapacidade de me concentrar aí ficou esse bocadinho. Marcado a “honra”. Sim, porque a honra é um negócio importante, que requer muita falta de respeito pelos outros, mais uma pitada de egoísmo e estupidez. Sem qualquer um destes ingredientes, não há honra para ninguém. Vale ainda existirem pessoas honradas, que levam a peito os seus princípios, sem quererem saber dos outros, e que se dizem, que generosos!, egocêntricos. Não seria tão insultuosa, eu, ficar-me-ia por ”gente que tem a mania que faz muito mas acaba por só fazer porcaria”. Estou simpática, hoje, mas nem todos os dias se pode ser sua Malvadez, que compra calendários a escuteiros porque são fofos, ou que chora que nem uma Madalena por causa de irmãos idiotas que, esses sim, são egocêntricos, ou por causa de pseudo-amigos (não gostam da palavra pseudo? Diz tanto, quando a juntamos a outras palavras).

Que se danem as promessas a quem não as merece, que se danem os dias de calor que abafam e sufocam e me tornam inquieta, que se dane a solidão que agora nem eu quero saber dela, que se danem as frases bem construídas e as ortografias e os erros e a felicidade, que se danem os filmes idiotas e os aborrecidos e os que não fazem sentido, que se danem as ovelhas de peluche, que me fazem companhia mas não são gente, que se danem os estudos em folhas verdes, que eram as únicas que havia, que se dane a vontade de dizer haviam quando não se deve, que se dane as cascas de banana no chão ou os iogurtes já só com colher, que se danem as folhas que precisam de argolas, que se danem os dossiers mal organizados onde nunca encontro nada à primeira, que se danem as mensagens e os separadores e as malas cheias, e os sacos com tachos e frigideiras, que se danem as casas que não são lares, que se danem as músicas tristes e as alegres e as idiotas e os palavrões que nunca digo mas que mereço dizer (merde!), que se danem os cobertores de falsos gatos, e os gatos verdadeiros, e os tapetes e os chinelos e as letras e os fonemas e as folhas soltas de pseudo-histórias, e a palavra pseudo, que se danem os parágrafos e os pontos finais, que se danem as almofadas e os puffs e as mochilas pequenas num sem-fim de repetições, que se danem as garrafas de água já bebidas e os estojos atafulhados e os prédios e os telhados opressores e as janelas-olhos de vizinhas, e as despedidas, que se danem os sonhos e os testes e as aulas e a memória, que se danem os sorrisos, os risos, as lágrimas, os soluços, que se danem os cabelos castanhos e os pretos e as pulseiras que não saem e os elásticos e os relógios, que se danem as horas e os minutos e os segundos e os dedos pequenos, que se danem as veias e o sangue e o azul e o vermelho e as cores e o daltonismo, que se dane o sono e a vontade de dormir e as almofadas suaves e as mantas quentes, que se danem os jogos e os entretiens e os dias e as noites, que se dane o francês e o inglês e o português e que se danem as maldições e as preces e as pragas e os augúrios e os auspícios e o latim, que se danem as vírgulas e os polissíndetos, que me dane, que se dane a teimosia e a indiferença e os dias de chuva, que se danem os guiões e as fotocópias e o metro e o autocarro, que se dane o Tejo e o Sado e a margem sul e a norte, que se danem os cadernos e os poemas e as canetas e as prosas, que se dane o mundo e que não me chateiem.

Posted by Catarina. at 18:58:59 | Permalink | No Comments »

Friday, April 18, 2008

Acabou.

Acabaste de estragar o meu perfeito dia de ontem. Acabaste de me irritar, de me fazer ficar com raiva, de me fazer chorar de tristeza e de magoar mesmo quem não merecia. Acabaste de me abandonar, oh magnânime indiferente, porque te achas egocêntrico. Acabaste de tornar mais difícil adormecer, acordar, suster as lágrimas. Acabaste de ser cruel, e de fazer coisas sem nexo, com uma desculpa - sim, porque era uma desculpa, nem sequer uma razão - que estúpida. Acabaste de me dizer que te prometesse algo para, no momento a seguir, dizeres que acabou. Acabaste de transformar a alegria em tristeza, os risos em choros, a felicidade em angústia. Acabaste de criar um vazio - importas-te sequer? Acabaste por fazer com que tenhas razão. Acabaste com tudo. Acabámos nós. Acho que acabei de perder um amigo. Lamento, como já, em vão, te disse. Já agora, desculpa.
Posted by Catarina. at 14:57:50 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, April 17, 2008

17.04.08 - Viva!

Viva! Com o ressoar - qual trovoada - do coração no peito, quasi doloroso, a cada golfada de ar poluído de chuva, teimosa chuva. Ao despertar que sucede à quebra de consciência, viva as vozes que são engolidas e o turvo e o acordar de pés elevados! Viva as notícias e viva as pessoas que trazem as notícias, mensageiros mais relevantes que a mensagem! Viva os saltos e as canções e os abraços! Viva! Viva os testes com perguntas certas e erradas e verdadeiro e falso e inventar, porque sem invenção não havia a celebração dos dias. Viva a ambição e a alegria e a excitação desapropositada e as palavras novas! Viva os gritos de exaltação de ti, e de ti, e de ti, e todos! E viva o metro, e as estações de déjà vus, e os alarmes e as indecisões! Viva os cafés que têm travos amargos que não passam com os grão-pérolas de açúcar e que afinal não servem de nada! Viva os que chegaram e os que partiram e as multidões menos ruidosas que nós e que não deram conta! Viva Ácteon e as misturas de espanhol e francês e português imperceptível! Viva as faculdades de letras e os bares da biblioteca e os pavilhões novos e as análises! Vivas os chocolates e os gelados que não comi! Viva o Saldanha e o Átrio e as caminhadas à chuva, e as escadas rolantes e as passadeiras e os polissíndetos!

Viva 17 de Abril de 2008.

Posted by Catarina. at 22:28:50 | Permalink | No Comments »

Thursday, April 10, 2008

“És o meu sorriso.”

Por Iogurte Danone Morango/Banana.

Um dia de riso. Porque o simples chatear pessoas, poká-las, brincar com elas e sorrir-lhes faz um bom dia. Porque os risos são importantes, porque hoje correram mais que nunca. Fazer tradução fonética, adormecer na biblioteca, e, acima de tudo, um almoço que tinha uma boa omelete e ainda melhor companhia. Nem alguma vez achara que um iogurte pudesse ser tão simpático, mesmo quando o estive a segurar, qual estandarte que me enregelecia os dedos, enquanto nos embrenhávamos naquele pavilhão que ninguém diria ser o que é - Novo -, onde chove e o tecto se encurva, tornando-se bossa revertida de cortiça. Ou apressando o passo por entre os baldes de água que, aqui lamentavelmente, se espalham entre os livros. O sono chega depressa, quando se espera. Mesmo onde não é, ele, esperado. Ando mesmo ensonada. E depois parecemos vizinhas cuscovilheiras, mas das que o fazem por bem (há dessas? Se houver nós somos, se não houver somos à mesma). E beber sopa pela taça não deixa de ser engraçado, depois de mais uma estupidez da minha parte. Pares mínimos, sombras e sobras e não ir à casa-de-banho apesar da vontade, e o jogo do sério que acabava mal começava, sem ser com a Ana, que tem jeitinho, mas que com os outros havia empates e vitórias e derrotas de segundos.

Faltam cinco minutos para as duas.

Posted by Catarina. at 19:17:23 | Permalink | Comments (1) »