17.04.08 - Viva!
Viva! Com o ressoar - qual trovoada - do coração no peito, quasi doloroso, a cada golfada de ar poluído de chuva, teimosa chuva. Ao despertar que sucede à quebra de consciência, viva as vozes que são engolidas e o turvo e o acordar de pés elevados! Viva as notícias e viva as pessoas que trazem as notícias, mensageiros mais relevantes que a mensagem! Viva os saltos e as canções e os abraços! Viva! Viva os testes com perguntas certas e erradas e verdadeiro e falso e inventar, porque sem invenção não havia a celebração dos dias. Viva a ambição e a alegria e a excitação desapropositada e as palavras novas! Viva os gritos de exaltação de ti, e de ti, e de ti, e todos! E viva o metro, e as estações de déjà vus, e os alarmes e as indecisões! Viva os cafés que têm travos amargos que não passam com os grão-pérolas de açúcar e que afinal não servem de nada! Viva os que chegaram e os que partiram e as multidões menos ruidosas que nós e que não deram conta! Viva Ácteon e as misturas de espanhol e francês e português imperceptível! Viva as faculdades de letras e os bares da biblioteca e os pavilhões novos e as análises! Vivas os chocolates e os gelados que não comi! Viva o Saldanha e o Átrio e as caminhadas à chuva, e as escadas rolantes e as passadeiras e os polissíndetos!
Viva 17 de Abril de 2008.