Loucas.
“As nossas confianças espelhadas reflectem espelhos quebrados e amargurados.”
E se nos escondermos, somos culpadas por nos desfazermos de importância que não nos é atribuída. Somos forçadas a modéstia, quando a alheios não é a modéstia que rege as acções, e apenas falsa modéstia a que rege as palavras. Se formos chamadas loucas, quão loucos são os que de tal nos acusam?
“Pedacinhos cantados de honra balançam à luz sombria das árvores de fruto, enforcados em falta de fé.”
Se antes éramos a voz do mundo, agora tornámo-nos garganta muda e silenciosa, amordaçada pelos preconceitos mais que os do outrora. Mas eles sempre existiram, e, cantando nós ou não, encontram-se na inexistência das palavras alheias para denunciar o que sabem incorrecto, mas deixam passar, porque se incluem, excluem, e a exclusão somos nós, loucas.
[Para o Colinas.]