Wednesday, January 28, 2009

Silêncio.

Todos caímos no silêncio. Pesa demasiado.
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Sunday, January 25, 2009

Dorme, meu amor.

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

© Maria do Rosário Pedreira

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Saturday, January 24, 2009

Self-centered.

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Posted by Catarina. at 14:39:13 | Permalink | Comments (1) »

Friday, January 23, 2009

F.

Desenham-se conflitos sem confrontos em espectros idênticos marcados pela rotina. Calmamente, da forma tranquila das marés que nunca mudam e sempre são diferentes, erram as memórias, de individuais colectivos, procurando com delicadeza as quebras que são tão alheias quanto suas. Altera-se levemente a cor dos dias e banha-se a luz em realidade. Por quanto tempo? São pedidos ou súplicas desfeitos numa palete de prazer, e nunca há brechas no muro da honestidade, apenas dúvidas já exaustas e vividas. De tão vadias que são, raramente cantam em voz mais alta que um medo sereno.
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Saturday, January 17, 2009

Dúvida (retórica).

Como se chama o sentimento que nos dá vontade de bater em tudo, que nos faz sentir como se fôssemos inúteis, que faz com que precisemos dos outros mas sejamos demasiado orgulhosos/teimosos para pedir ajuda e que assusta?
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Tuesday, January 13, 2009

Que irritação.

Quem diria que ataques de riso são compatíveis com ataques de tristeza? E um sentimento cansado e já conhecido de um je-ne-sais-quoi de inutilidade.
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Monday, January 5, 2009

Quero sair daqui.

Sou em mim eu, mas sou tão mais que isso que me arrepio e estremeço. E não sei se é frio ou se esqueço. Se esqueço que há mais neste espaço além de mim, e sinto-me miserável e injustamente egoísta e quero fugir, quero fingir que não há mais estes dias opressores e que o cinzento do céu é o cinzento da alma, porque às vezes a indiferença é mais fácil que a solidão.

Desculpem, os dois.

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