Debruças-te tanto que cais, oh incompreensão. Não vale a pena, tanto te feres tu que é danada a vida e o que pensas que podes ser, ou que te dizem. Antes ser o que achas que te dá menos trabalho e suspiras porque lamentares o que fazes ou és custa-te o egocentrismo, e desse não queres tu abdicar — que corropio! Ferrugem cobre as engrenagens da alma se há ela e nas matrículas dos carros descobres tu a fotografia (que horror!) um turbilhão, irrompes a tua superfície, rasgas, destróis, e ficas corrompida porque não nasceste para respirar a luz do dia, que cantas tu? Cantemos juntas, sorri, sorrimos, está calor mas está vento que te sopra os cabelos para os olhos — é igual, não vês de qualquer das formas, uma cegueira tão branda que nem te dás conta, achas que sim e pensas que não, decide-te, rapariga! Pois que me farto de te ver e ouvir, vai-te daqui, muda o quarto de novo para esqueceres os pensamentos, relega-os que te exilaram das vozes dos risos. E, quando o mundo for compreensível, escrevamos a história da nossa vida.