Perversidade e comboios.
25/26 de Outubro de 2008.
Que grande (nada de pervices) fim-de-semana. Foi um escapar a esta rotina apertada (não tenham ideias) e angustiante, um libertar-me (idem) e sentir-me como há muito não me sentia. Livre. Rir genuinamente até faltar o ar, até chegarem as lágrimas - por motivos de contentamento puro. Ser violenta (bom bom) e sentir-me feliz. E se havia um momento ou outro em que podia vacilar na minha alegria, rapidamente o ultrapassava. Rápida e facilmente (vamos lá a ver). O pic-nic. A caminhada. Os risos. O jantar. Os sorrisos. O filme. Pessoas a servir de almofadas. Pokes. Cócegas. O pequeno-almoço. A lista da censura. O sono silencioso. O ponto vulnerável. O gelado com canela. O gelado de sorvete de limão. O pauzinho. A rapidez com que tudo acabou. E a tranquila viagem de regresso, com o embalar do comboio e o chocolate quase a derreter-se.
E, depois, um cair dos sentidos. Regressar à prisão dos dias todos diferentes e todos iguais e cansados e cansativos. E, quem sabe, de quando em quando, assustadores e avassaladores. Já me pesa a falta das gargalhadas, dos amuos, das teimosias e das perversidades. Das palmadinhas e do atirar do dado para onde não se deve. Das implicâncias. De ter dificuldade em comer sem me engasgar. Das canções à beira da estrada, que ficaram agora para trás.

