Não quero falar do fim. Não estou preparada, já verti lágrimas suficientes, hoje. Não quero chorar mais, porque hoje chorei por quem merecia, mas sem sentir verdadeiramente o fim. Sem sentir a sua sombra sobre nós.
A cada um:
Perfeccionismo.
Sempre na tentativa de encontrares a perfeição, acartando críticas, que te constroem. Dás a cada um o seu espaço e o seu tempo, e sabes pedir ajuda quando precisas. Nem te importas de a dar. Mudaste, como todos. Aprendeste que precisas de te moderar, e ninguém te deita a baixo com comentários ou bocas. Não fomos capazes de confiar, e por isso peço desculpa, mas não foi por mal, e tens de entender que não podes ser confidente de duas facções opostas ao mesmo tempo. Não te afastas de nós por rejeição, nem nós te repelimos, mas por seres diferente, um diferente que não é negativo, mas que afasta, não obstante. Desculpa-nos se te julgámos mal, não era nossa intenção magoar-te. Continua a aceitar as críticas, deixa que elas te mudem para melhor, como têm feito.
Modéstia.
Sempre pronto a admitir os teus erros. Pões o orgulho de parte e pedes desculpa pelo que fazes. Admites os teus defeitos, por vezes exageres mesmo a enunciá-los. Pessimista inato, nem sempre acreditas nas tuas capacidades, que são capazes de te levar onde quer que queiras. Terás sempre alguém a apoiar-te, devido à tua humildade. Alguém com quem se pode desabafar, és um verdadeiro amigo, para os bons e maus momentos. És capaz de elogiar e ser sincero, sem tropeçares nas palavras. Deixas, muitas vezes, que os nervos te consumam, mas acabas por os ultrapassar. Não permitas que te deitem a baixo, quando não tens razão para ouvir o que não é verdade.
Riso.
Não te conhecem. Não sabem que és capaz de rir, que é possível rires sobre o que menos sentido tem. Que és capaz de fazer sorrir, de me fazer ficar frustrada de tanto te tentar contrariar. Que as tuas teorias são estranhas, mas que não são impossíveis. Mas eu sei. E agradeço-te por teres estado sempre lá. É certo que não desabafei, mas eu nunca desabafo, pelo que a culpa não é tua. A verdade é que não é preciso contarmos tudo a uma pessoa para que ela seja considerada nossa amiga; para mim, basta ser capaz de nos fazer rir, ou, pelo menos, sorrir. Tu és capaz disso, e ainda dizes o que eu não quero admitir.
Frontalidade.
Lamento, como tu, que tenha sido no fim. Admiro, acima de tudo, a tua frontalidade, o facto de não andares a ostentar sorrisos falsos. És carinhoso para com os teus amigos, para com aqueles de que mais gostas, e repudias cinismos e arrogâncias. Gosto dos nossos sorrisos cúmplices, de te ganhar a cantar (esta tinha de dizer XD), de falarmos todos juntos. Esforças-te por conseguires o que queres, mas não esqueces nunca os que te são mais queridos.
Alegria.
Não ias acreditar se eu te dissesse que és um dos meus melhores amigos. Não acreditarias que os teus sorrisos são dos que mais feliz me fazem, que as tuas provocações me deixam bem-disposta. Que contigo não há tristeza nem melancolia, que te admiro pela tua capacidade de seres tu, de me deixares à-vontade e nervosa. És teimoso e casmurro, e não se podem fazer apostas contigo. Admiro a tua sinceridade divertida, o facto de não seres cínico nem arrogante, apesar de teres razões para isso. Não te conheço, como, aliás, não conheço quase ninguém, mas sei que não me desiludirias de novo. Quero que saibas que te agradeço pela tua amizade, mesmo que inconsciente.
Simplicidade.
Dos poucos de quem não tenho defeitos a apontar. Sobrepões o bem-estar e a felicidade dos outros à tua, nada tens em ti de falso ou arrogante, és sensato e honesto. Não há nada a criticar, porque és a pessoa menos egoísta que conheço. Tu é que és um exemplo a seguir, sabes pôr o orgulho de parte, sabes falar e ouvir, aconselhar e ajudar. Uma excelente pessoa.
Ingenuidade.
Sabes já tudo o que tenho para te dizer. A minha querida maninha, sempre pronta para me abraçar, com um doce sorriso, com a tua alegria que me acalma, ou que me contagia. Que não me deixa estar parada, nem calada, que me conhece e que implica comigo (não vais ser madrinha de coisa nenhuma -.-’). Aturas-me com uma paciência infinita, nunca te vi irritada com ninguém (com excepção de uma única vez XD). No entanto, não deixas de ser perspicaz, e não deixas que façam de ti substituta. Sabes que podes contar comigo, maninha.
Determinação.
Nunca te vi perder o rumo. Mesmo quando está tudo contra ti, aguentas e manténs-te forte, sem te deixares abater. Podes vacilar, mas não desistes. És corajosa, de uma coragem que não sei se consigo ter, eu que sou cobarde. E, muitas vezes, não és compreendida, mas continuas. Sabes o que és e o que queres ser, enquanto que eu ando à deriva. Continua a ser forte, e sabe que não te abandonaremos.
Carinho.
Tens de aprender a ser feliz como és, a deixar de lado esse teu pessimismo e a tua vontade de desistir. Se, por um lado, dependes de outros para te acarinharem, tu próprio sabes ser carinhoso com os outros, e decidir entre o certo e o errado. O meu mano, preocupas-te demasiado, com a auto-estima muito baixa, não sabes acreditar que és capaz quando já provaste que consegues. Não duvides de ti, e não deixes que te acorrentem.
Sensibilidade.
Os outros. Tentas resolver os problemas deles, preocupas-te com todo e cada um, e dás o que podes até estares exausta e não teres para ti. Perdes-te, e depois não consegues esforçar-te para ti. És a primeira a sofrer, a derramar lágrimas. Mas nessa altura contas com os aqueles que apoiaste, com aqueles que te consideram amiga, acima de tudo. Não suportas palavras de gozo, és demasiado gentil para seres arrogante, e deixas que palavras negativas te destruam. Não o faças. Não sejas influenciada por pessoas amargas, ouve apenas as críticas construtivas, ignora as bocas. Sê tu.
Profundidade.
Não te conheço. És, provavelmente, o que menos conheço. O mais complexo, o mais volátil. Gosto de falar contigo, de discutir coisas parvas, mas há dias em que és quase insuportável, em que tenho de te retribuir na mesma moeda. Este ano aprofundámos as nossas conversas. Sobre a dualidade, as duas facetas de cada um de nós, mas foi a um nível superficial. Falámos mais a sério, mas quase como se não falássemos de nós, mas antes de alguém que nos era alheio. Não nos entendemos, mas não deixo de apreciar as alturas em que falamos, a sério ou a brincar. Peço desculpa se sou agressiva mas, por vezes, mereces. A ti, é isto que tenho a dizer: perdoa-me.
Sinceridade.
Prezo-te principalmente pela tua força para seres honesta e sincera, e tive pena de que só nos tenhamos aproximado agora. Além de seres sincera, és ainda extremamente forte, porque suportas tudo o que te acontece e ainda ajudas os outros no que podes. E, apesar de sofreres às suas mãos, continuas a não os odiar, a não os repudiar como qualquer um faria. Continuas a preocupar-te. E é por isso que todos gostam de ti, por isso é que mereces, mais que qualquer um, um aplauso.